quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Honey, honey

Saí distribuindo sms final de semana, perguntando como é que escondia marca de chupão:

- Passa base, Tales.

- Coloca gelo.

- Tu ainda tem aquele cachecol da Grifinória?

Meu método foi diferente: andar tentando mostrar só o perfil esquerdo, que era seguro. Mas teve o almoço de domingo, com muita gente, e muitos olhos detalhistas.

- Então o Tales ta NAMORANDO?! – grita minha irmã pra todos ouvirem.

- Eu? Ué, porque? - Eu sabia exatamente do que ela tava falando.

- Ah, então tu vai me dizer que tu não viu essas coisas vermelhas no teu pescoço?

- Ah, é. Eu tava vendo ontem de manhã, acho que foi um bicho ou coisa assim.

- Só se for o bicho-mulher. – solta meu pai.

- Ou o bicho homem – não, eu não disse, mas que tava na ponta da língua, tava.

Enfim, vale a pena ver "Mamma Mia!" pela quarta vez, se dá pra beijar com "Gimme! Gimme! Gimme!" de trilha sonora.

=]

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Sobre um cara chorão


O Tales criança era conhecido por ser chorão. O Tales se desmanchava em prantos quando não conseguia o que queria. Quando alguém tentava obrigar o Tales a fazer algo contra a vontade dele, ele gritava e batia o pé até que as coisas se ajeitassem. Sim, o Tales era mimado.

O Tales pré-adolescente não chorava nunca. O Tales pré-adolescente (ô fasezinha que dá raiva) não se permitia sentir nada que fosse original, que não fosse o que estivesse na moda. O Tales adolescente era um fake, uma tentativa de cópia dos coleguinhas pop dele.

O Tales adolescente não tinha sentimentos. O Tales adolescente exercia sua masculinidade sentimental ao extremo, e não via a menor dificuldade nisso. Só ficava perdido quando alguém chorava perto dele, porque o choro era uma coisa que ele não entendia.

Foi nessa quinta-feira (nem tão pesada assim). Eu tenho que admitir: o Tales chorou de verdade, como nunca havia chorado.

Já olhou o filme C.R.A.Z.Y.? Pois é.

E não foi uma cena só do filme. Não foi uma só mensagem, ou uma história. Eu to falando do filme inteiro. Chorei de fazer barulho, chorei de trancar o nariz. Chorei de ir embaixo das cobertas pra chorar.

Não preciso dizer que o filme tem a minha alma, né? Até porque deve ter a alma de muita gente. Não preciso dizer que eu vivi muitas das cenas do filme e ainda vou viver tantas mais que estão lá. Não preciso dizer que ta pra ser feito o filme que vai mexer tanto assim comigo.

Era o filme certo na hora certa. E isso não acontece todo dia.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

MD e ME



- Vou te mandar o arquivo por MSN, ta?

- Não dá, cara. É que eu to usando MSN de site, aí não dá pra receber arquivos. Me passa por e-mail, ou eu te passo o meu pen-drive.

Somos em três na sala em que eu trabalho. Tem eu, o moço da direita (MD), e o moço da esquerda(ME).

- Mas porque tu não usa o MSN que tu tem instalado.

- Sei lá... Me passa o arquivo logo.

- Ei, mas tu ta logado no MSN! Porque tu logou duas vezes?

Os computadores são inclinados, e eu só consigo ver o monitor do moço da direita. Já o moço da esquerda vê os dois monitores, o meu e o do moço da direita (o que pra ele é muito conveniente).

- ... É que eu to usando dois nicks.

- E porque tu ta usando dois nicks, hein?

- Ããh... é que eu separo os contatos em dois grupos, um pra cada MSN. (MSN fake, dãã!)

- Como assim?

Eu tava me entregando. Tentei falar qualquer bobagem pra não ficar tão óbvio.

- Sei lá, MD! Um é pras pessoas chatas e um pras legais. Quando eu to de mau-humor, eu só abro o das pessoas legais.

- E eu to em qual, posso saber?

- Epa, a gente ta no que ele usa no site, o secundário. Deve ser o das pessoas chatas! – solta o MD, tirando os fones.

- Não é separado por pessoas chatas e legais, são só pessoas diferentes, papos diferentes.

- Ah, ta, a gente não é chato, tu só não quer se mostrar online pra nós. Hahaha...

- Quer saber? Eu vou me logar no MSN convencional e tu me manda o bendito arquivo, beleza?

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Entre High School e 007...

Filme do 007 é filme do 007 e ponto. Montes de cenas de cair o queixo, ação bacana, mas a gente entra na sessão esperando um filme do Bond, James Bond, e sai de lá com isso mesmo. Sem surpresas.

Já eu comprei o ingresso pro Quantum of Solace sem saber como ia ser lá dentro. Não o filme, que é tão bom quanto o último, nada de mais. Mas sim o que ia acontecer na sala do cinema, mas especificamente entre a minha poltrona e a do Sony.

Eu me senti à vontade com ele logo de cara, mas é falta de educação não prestar atenção ao filme (aeaehae). Aí eu pensei: vamos deixar pro clímax! Até lá eu já entendi todo o filme, e posso aproveitar mais a vida real. Clímax de 007 é intenso e emocionante, e beijo requer intensidade e emoção (isso sem falar que as pessoas olham pra tela e não pros dois caras se pegando na poltrona ao lado).

Mas eu tive que deixar o clímax passar, porque não rolou se animar pra beijo vendo a mocinha dar facadas vingativas no cara que matou a família dela. O Daniel Craig matou os vilões que ainda tavam vivos e tava pronto pra beijar a tal mocinha vingativa. Sem procurar mais desculpas de somos-amigos-estou-precipitando-as-coisas, dei o primeiro passo. Ele deu o segundo. E a gente deu junto o terceiro. E aí a gente não queria mais saber como o filme acabava.

Mas uma hora as luzes sempre se acendem, e os gays discretos são obrigados a se desgrudarem e voltarem ao mundinho hétero e real lá de fora.

Mas não é só de beijos que é feito um relacionamento, né? E papo foi o que não faltou pro resto da tarde.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Realismo na infância

- Quando eu crescer, eu quero ter um limpador de língua igual a você.

Comprei uma escova da Colgate com limpador de língua. É uma porcaria, porque tem que escovar com a boca aberta, pro plástico “áspero” da escova não machucar o dente. Mas aquela propaganda fica repetindo, e repetindo. Acabei comprando.

- Ela não vai crescer, ela vai pro lixo.

Meu irmão puxou a mim, cara! Ele tem sete anos e solta uma dessas na maior expontaneidade. Quer realismo maior que esse? Tenta esse então, quando eu fui tentar falar sobre a morte do meu tio com ele:

- Já te explicaram sobre o tio? Eu fico preocupado porque tu se dava muito bem com ele...

- Eu só nunca mais vou ver ele, né? Me ajuda a terminar o desenho?

E eu achava que eu era precoce na idade dele!

Domino's Techno Chicken

Adoro esse tipo de vídeo na sexta-feira...

http://www.youtube.com/watch?v=OvZrhdy2UdY

Aliás, alguém sabe como fazer pro vídeo aparecer aqui na página mesmo, sem precisar clicar no link?

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Memento

- A gente já ta saindo pro velório. Aí se tu quiser ir junto...
- Eu não vou.
- A tua mãe vai ficar muito magoada, Tales. Significa muito pra uma pessoa numa hora dessas que...
- Eu já disse que não vou, pai.
- Mas, Tales. Vai ficar uma mancha no coração dela, ela nunca mais vai esquecer, e...
- Ta, pai. Fecha a porta quando sair.
- Isso é uma coisa que a gente não esquece, tu tá sendo uma grande decepção pra nós bem agora e...
- Até amanhã, pai.

Meia hora antes, eu chego em casa, minha mãe na cama. Abraço ela, o abraço é longo, e geralmente ela não dá abraços muito longos.
- Eu vou falar com o teu pai agora, pra ver se nós todos vamos no velório.
- Eu ia faltar minha aula de amanhã a noite mesmo. E a minha chefe ta de folga, ela nem vai notar que eu não vou ir.
- É... Mas eu tava pensando... tu podia ficar em casa, né.
- Pode ser também.

Duas horas antes.
- Que foi, Tales, que cara é essa? Quem era no telefone?
- Meu tio morreu. A gente ta atravessando a avenida, né? Me guia pra eu não ser atropelado.

Conclusões
- Meu pai é muito exagerado e teimoso. Mas eu sou mais.
- Eu não precisei fingir que eu gostava do meu tio.
- Minha amiga disse que seria chato ela ter que pegar o celular que tinha acabado de anunciar um falecimento pra mandar a notícia do meu, por atropelamento.

Eu só tive três experiências com morte na minha vida. Meu avô morreu quando eu tinha cinco anos e foi uma revelação descobrir que os mortos eram gelados. Na morte da minha prima de alguns meses, eu fiquei decepcionado por Deus não ter atendido meus pedidos. Quando o amigo do meu pai morreu, eu não reconheci aquele ser magro e branco que insistiam em dizer que era ele, e eu tinha doze anos então. Hoje eu tenho quase dezoito, e a morte tem o mesmo gosto.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Esse "amigo"

Eu tenho esse meu amigo, que não chega a ser meu amigo, mas a gente convive por ligações familiares. Antes de mais nada tenho que deixar claro que eu acho ele totalmente desinteressante, e eu nem cogito a possibilidade de um dia ter alguma coisa com ele. Meu amigo não entende muito de informática, então ele me chama pra qualquer coisinha que acontece no computador dele (instalar antivírus, photoshop ou o programa da máquina não são as coisas mais difíceis do mundo). E há uns dois ou três anos atrás eu tinha um vício por histórico de internet, qualquer computador que eu usava eu primeiro examinava todo o histórico. Já achei umas coisinhas interessantes. No Ensino Médio eu vivia encontrando nos micros da escola pesquisa de meninas com medo de perder a virgindade. Não curti muito ao saber que gente que convivia no mesmo ambiente que eu procurava vídeos de estupro na internet. Mas quem sou eu pra julgar alguém, né? Enfim, eu invadi a privacidade dele sem a menor ética (ô coisinha complicada, essa tal de ética) e achei uns sitezinhos interessantes. Na verdade, ele não sabe procurar foto pra masturbação na net, a resolução e a qualidade das fotos eram horríveis, mas não dava pra negar que eram de homens. E aí eu comecei com a paranóia: será que todo mundo é gay?! (não se preocupem, a paranóia passou... eu acho). A minha curiosidade não me deixou parar, e eu fui pras conversar de MSN. Eu ativei o MSN dele pra gravar as conversas e assim eu acabei descobrindo coisas que eu realmente não queria ter descoberto. Eu parei de ler, e me senti super mal por ter me intrometido tanto assim na vida dele. E o pior é que eu não podia chegar pra ele e contar que eu sabia, isso seria pior ainda, porque além de saber, eu faria ele me contar. Então eu tomei uma decisão que eu esperava que resolvesse a situação: eu contaria pra ele sobre mim e aí ele criaria coragem pra me contar. Não foi assim que aconteceu: ele continuou se fingindo de hétero, e é assim que é até hoje. Mas não deixa de ser engraçado quando eu conto alguma coisa pra ele e ele faz algum comentário que entrega que ele vive a mesma situação que eu. Hoje (eu não via ele há um tempão) ele chegou ao ponto de dizer: Pra ti é mais fácil, por causa (...). Mas no meu caso a história é mais complicada, porque (...). Ele soltou isso do nada, na maior cara de pau. Eu fingi que não tinha acontecido nada, ele fingiu que não tinha deixado escapar nada.
- Tales, mas tu sai largando teu perfil do orkut por aí assim, na maior cara de pau? Tu não tem medo que te descubram?
- Ah, não é bem assim, né cara? Quando eu converso com o cara um tempão, quando eu viro amigo do cara, aí eu mostro.
- Mas tu não tem medo de possam te descobrir?
- Meu! Mas se eu for pensar assim, eu vou ficar trancado no meu quarto e nunca vou viver nada.
Ele parou uns cinco segundos pra pensar. Ele NUNCA concorda comigo, nunca admite que eu to certo.
- Verdade. É isso mesmo. Tu ta certo.
Eu literalmente abri a boca, pasmo. É que eu sei que ele teve experiências não muito legais com gente na net.
Mas dá tempo pro garoto se descobrir.
E pra mim também.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Começando

Oi, eu sou o Tales.

O Tales tem 17 anos beirando a 18, mora no estado mais ao sul do país, faz faculdade e freqüenta vinte horas por semana um local que costumam chamar de “trabalho”.

Adora filme de drama, música boa, amizade recíproca, beijo na boca e pizza de chocolate branco.

Não gosta de não poder ter razão sempre, de dormir menos de oito horas e de censura.

Quer conhecer muita gente, aprender um pouco mais todo dia, arrumar um namorado, ser no mínimo trilíngüe e ganhar mais de cinco mil por mês

Não quer ter de abandonar qualquer tipo de paixão por outra, não quer trabalhar tanto que o impeça de viver, não pretende envelhecer sozinho e não quer ganhar na mega-sena.

É espontâneo, feliz rindo ou não, amigo, preguiçoso e sortudo.

Não é bom desenhista, nem músico, nem tem qualquer habilidade artística especial.

Esse é o Tales que eu vejo no espelho.