sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Sobre um cara chorão


O Tales criança era conhecido por ser chorão. O Tales se desmanchava em prantos quando não conseguia o que queria. Quando alguém tentava obrigar o Tales a fazer algo contra a vontade dele, ele gritava e batia o pé até que as coisas se ajeitassem. Sim, o Tales era mimado.

O Tales pré-adolescente não chorava nunca. O Tales pré-adolescente (ô fasezinha que dá raiva) não se permitia sentir nada que fosse original, que não fosse o que estivesse na moda. O Tales adolescente era um fake, uma tentativa de cópia dos coleguinhas pop dele.

O Tales adolescente não tinha sentimentos. O Tales adolescente exercia sua masculinidade sentimental ao extremo, e não via a menor dificuldade nisso. Só ficava perdido quando alguém chorava perto dele, porque o choro era uma coisa que ele não entendia.

Foi nessa quinta-feira (nem tão pesada assim). Eu tenho que admitir: o Tales chorou de verdade, como nunca havia chorado.

Já olhou o filme C.R.A.Z.Y.? Pois é.

E não foi uma cena só do filme. Não foi uma só mensagem, ou uma história. Eu to falando do filme inteiro. Chorei de fazer barulho, chorei de trancar o nariz. Chorei de ir embaixo das cobertas pra chorar.

Não preciso dizer que o filme tem a minha alma, né? Até porque deve ter a alma de muita gente. Não preciso dizer que eu vivi muitas das cenas do filme e ainda vou viver tantas mais que estão lá. Não preciso dizer que ta pra ser feito o filme que vai mexer tanto assim comigo.

Era o filme certo na hora certa. E isso não acontece todo dia.

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